Diabetes e Gestação: Apoio pelas Redes Sociais

A mãe do Davi é como todas as mães que você conhece: super atarefada, sempre tentando conciliar o trabalho, o filho, o marido e a casa. E, como se não bastasse, ela ainda precisa controlar o diabetes tipo 1 que apareceu há 12 anos.

A pedagoga Kath Paloma, 32 anos, mora em São Paulo, é mãe do pequeno Davi e começou a escrever o primeiro blog em 2011 como um diário de bordo, mas só em 2012 sua primeira gestação e com a necessidade de encontrar este tema mais detalhado na Internet, ela resolveu fazer seu Diário Gestacional.

Entretanto, após a perda do bebê, ao invés de desistir da maternidade, ela fez o contrário. Dedicou-se a falar sobre o tema, inspirando o autocuidado e novos sonhos com a gravidez em mulheres com diabetes. O resultado se transformou no atual blog Maternidade Diabetes, que conta com 1.385 seguidores no Instagram e 4.520 na sua Fanpage, onde ela usa as redes sociais para empoderar mulheres com diabetes para que o sonho da maternidade se realize.

Kath Paloma e seu filho Davi de 5 anos que a incentiva em seu trabalho voluntário dedicado à Maternidade e o Diabetes.
 De lá para cá, além de contar sobre sua gestação e o nascimento de Davi em 2013, ela incentivou mulheres a também contarem suas histórias e reuniu mais de 150 depoimentos de mulheres do mundo inteiro.

“Tem uma da Itália que o bebê nasceu há uma semana e outra do Paraguai que o bebê fez 3 meses. Como elas falam português, a gente consegue se comunicar melhor.”

Seu comprometimento, disponibilidade e responsabilidade para falar e ouvir sobre esta fase tão importante na vida de qualquer mulher fez de Kath uma referência quando o assunto é Diabetes e Gravidez.

“Desde a gestação do Davi, venho acompanhando mulheres grávidas ou que desejam engravidar. Gosto de acompanhar séries sobre gestantes, costumo conversar com elas através do whatsapp ou até mesmo por telefone. São mulheres que conheço pelas redes sociais e que contam um pouco sobre seu cotidiano, suas aflições e, como não sou médica ou da área da saúde, posso ajudar entendendo seus medos, acolhendo seus anseios. Não falo sobre dosagem de insulina e nem discuto sobre o tratamento, mas consigo fazer com que reflitam sobre o que acontece de forma crítica”, explica a blogueira.

Prestes a ter sua certificação como Educadora em Diabetes pela UNIP, Kath fala com entusiasmo sobre os projetos que já realizou:

– A ideia do Doce Encontro, coordenado com a Luana Alves do Blog Diabetes e Eu, foi reunir mulheres com diabetes também pela internet para que possam se conhecer, interagir com a ajuda de uma mediadora, para que tudo não fique apenas no diálogo informal. Fizemos também um piquenique no Parque do Ibirapuera para trazer parentes, esposos, namorados, amigos e mostrar que as mulheres com diabetes não estão sozinhas.

Ela acredita que, embora os grupos do whatsapp sejam ótimos para promover a troca de saberes, eles também precisam inovar. “Eu sempre tive a ideia de fazer algo diferente, para não perder esse público de vista. Se você faz sempre a mesma coisa, chega uma hora que as pessoas ficam cansadas. Agora, com as redes sociais e os grupos a pessoa acaba se acomodando porque se tem algum problema, ela conversa no grupo de whatsApp e tudo se resolve. A gente perde um pouco do contato presencial.”

O uso de web conferência foi mais um modelo de interação testado por Kath, pois muitas grávidas não conseguiam participar dos encontros presenciais, quer fosse pela localização geográfica ou pela própria dificuldade de locomoção e/ou de companhia. Foram painéis sobre questões ligadas aos relacionamentos da mulher com o próprio diabetes, com o companheiro, com a maternidade e com a família.

Segundo ela, o feedback foi bastante positivo e o modelo conseguiu atingir 66 mulheres, desde jovens até as que já estão vivendo a terceira idade Ela também fez rodas de conversas e algumas mulheres, que sequer cogitavam se tornar mães, passaram a se sentir mais seguras para começar a pensar no assunto. “Isso é muito positivo”, ressalta Kath.

Muitas Histórias

Desde que começou a atuar sobre gravidez e diabetes, Kath já ouviu muitas mulheres contarem sobre suas perdas devido ao mau controle glicêmico, por outras doenças pré-existentes associadas ao diabetes ou por alguma má-formação. É claro, que ela também já ouviu muitas histórias de vitórias e diz que se emociona sempre que nasce mais um bebê.

Confira alguns relatos emocionantes contados de Kath Paloma e leia mais sobre Diabetes e Gestação na série de reportagens sobre o tema na edição de Dezembro da Revista  e em nosso site.

Empatia

“Eu já ouvi muitas histórias tristes, mães que perderam seus filhos por erro médico ou devido a outra doença, além do diabetes ou que precisaram de repouso e enfrentaram problemas emocionais para manter a gravidez. São histórias em que elas precisam falar devagar e,toda vez que se conta sobre uma perda, a gente sofre muito. É muito impactante pois eu mesma perdi meu primeiro bebê e embora a gente não saiba com certeza se foi por conta do diabetes, toda pergunta sobre isso é dolorosa.”

Dica de Mãe

“Se eu pudesse dar um conselho, eu diria para as mulheres com diabetes se planejarem para engravidar. Para que a gente tenha uma feliz gestação, precisamos ter também uma boa equipe médica. Hoje em dia, temos uma falta de profissionais de saúde competentes para tratar as  mulheres com diabetes com um tratamento humano, que nos ofereça o aparato de uma equipe multidisciplinar para nos acompanhar de perto. Entretanto, para quem não tem um plano de saúde é muito difícil. Também precisamos que os profissionais da saúde possam estar capacitados para encorajar estas mulheres, que as acolham e mostrem que elas são capazes de gerar um filho, desde que cuidem do diabetes. É preciso ter uma hemoglobina glicada dentro da meta antes durante e depois do parto.  Por isso, meu conselho é: planeje-se. Cerca de 80% dos depoimentos que eu recebo são de mulheres que não se planejaram. Muitas alegam a religiosidade ou espiritualidade para não usar os métodos conceptivos ou atribuem à Deus a decisão de engravidarem. Assim, elas se abstêm da responsabilidade de cuidar do diabetes para gerar filhos sem arriscarem a saúde. Eu acredito que a fé nos dá muita força, que Deus nos fortalece e nos ajuda em todas as dificuldades, mas eu também preciso fazer a minha parte. Eu preciso me planejar, fazer todos os destros (testes de glicemia), fazer atividade física, eu preciso ter planejamento antes de gestação, pois o diabetes requer um tratamento individualizado e cada uma de nós precisa fazer a sua parte.”

Relatos de Kath Paloma

Por Sheila Vasconcellos

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